O nosso objetivo não é ser alarmista ou demover alguém de aventurar-se na natureza. Achamos que é possível desfrutar de um percurso pedestre respeitando a natureza, mas, para isso, é necessário estarmos conscientes do nosso impacto e aventurarmo-nos com responsabilidade. É ganhando a consciência do nosso impacto que seremos capazes de fazer as duas coisas. Aqui estão algumas formas de reduzir o seu impacto ambiental:
Diz-se que uma grama de prevenção equivale a um quilo de cura, por isso, quando pensamos como poderemos evitar impactar negativamente na natureza ou correr riscos, a primeira resposta e, mais evidente, é a de que podemos preparar-nos melhor.
Escolha e reveja os percursos que pretende fazer em mapa e verifique as condicionantes climáticas, de proteção civil e os regulamentos aplicáveis, para saber o que lhe é permitido e o que lhe é proibido, quando e onde. Por exemplo, verifique se existe alerta de risco de incêndio ou interdição de circulação em áreas florestais, sobretudo se pretende fazer o seu percurso durante a Primavera e o Verão.
Verifique o clima, preparando o equipamento adaptado à chuva, neve ou sol, e não se esqueça de levar água em medida ajustada à extensão e dificuldade do percurso. Evite a utilização dos trilhos alagados, preferindo sempre realizar a caminhada com o piso seco. Caminhar por trilhos lamacentos pode causar danos à biodiversidade e potencia a ocorrência de acidentes, como quedas.
Antes de fazer uma caminhada esterilize a sola do calçado que utilizar. O principal veículo de fungos invasores de ecossistemas sensíveis é a pegada humana, sobretudo quando se trata de caminhar perto das galerias ripícolas das linhas de água.
Pesquise quais os períodos do ano e horários mais populares e tente programar a sua aventura fora deles. Lembre-se que quanto maior a concentração de pessoas (no tempo e no espaço) maior será o impacto no meio ambiente.
Considere também os ciclos associados à vida selvagem, pois alguns animais podem ser mais vulneráveis durante diferentes estações do ano e horários ao longo do dia. Por exemplo, durante os períodos de acasalamento.
O pisoteio destrói o solo e a biodiversidade. Evite que isso aconteça permanecendo nos trilhos e percursos marcados. Isso significa não criar novos trilhos ou fazer atalhos em ziguezague pelos percursos. Ao sair do trilho poderá erodir e alargar os caminhos, afetando o solo, a vida vegetal e a vegetação próxima. Além disso, respeite os períodos de interdição de atividades nas áreas florestais.
Quando estiver na natureza, lembre-se de que essa é a casa dos animais selvagens. Assim como não gostaríamos de ver alguém invadir o nosso quarto, é importante que respeite a vida selvagem durante a sua visita. Proteja os animais selvagens mantendo a distância em relação a eles e não os alimentando. Fique longe o suficiente para que precise de binóculos para vê-los. Se notar a mudança de comportamento de um animal, é provável que esteja demasiado perto e precise de afastar-se.
Evite deixar comida para os animais ou alimentá-los diretamente porque não é nutricional para eles e pode ser perigoso para si e para o animal. Os animais conseguem encontrar alimento no seu habitat natural, por isso, não há necessidade de alimentá-los com pão, fruta ou barras energéticas. Alimentar os animais selvagens aumenta a interação humana e pode levar a ferimentos ou morte, tanto para o visitante quanto para o animal.
Respeitar a vida selvagem permite que os animais permaneçam selvagens e mantê-lo-ão seguro a si.
Quando estiver na natureza, lembre-se do motivo da sua visita – provavelmente para ficar longe das pessoas. Isso ilustra o quão importante é manter o nível de ruído baixo, e agir com civismo, por exemplo, estacionando apenas nas áreas destinadas a isso, cumprindo as leis e regulamentos aplicáveis e sendo respeitador.
Mantenha-se sempre no trilho e informe-se previamente à viagem, obtendo mapas ou percursos em formato GPS e informando-se sobre as zonas mais sensíveis a evitar.
Leve sempre consigo um pequeno saco plástico para guardar o lixo e os resíduos que originar com a sua passagem.
Não apanhe flores silvestres, plantas ou arbustos que encontre na natureza, um ato irrefletido da sua parte pode levar a que uma planta em equilíbrio no seu ecossistema venha a tornar-se invasora de outro ecossistema para onde for transportada.
Em zonas sem casa de banho, se possível, use um saco de lixo e transporte os seus resíduos. Caso não seja possível, deverá enterrá-los. Os dejetos humanos devem ser descartados num buraco raso, afastado de fontes de água e do trilho. Cubra e disfarce o buraco com materiais naturais.
Uma boa experiência na natureza merece que pensemos em retribuir. A manutenção dos trilhos é uma ótima forma de passar um dia ao ar livre e prestar um excelente contributo à conservação da natureza. Existem várias formas de se voluntariar ao ar livre e retribuir à natureza. Procure associações de pedestrianismo ou proteção da natureza da sua área de residência e proponha-se como voluntário. A Junta de Freguesia de Mozelos aceita toda a colaboração que queira dar-nos e deseja, acima de tudo, que desfrute do nosso percurso.


